Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

A bonança

As grandes tempestades trazem consigo largos períodos de bonança. Após um período de tormentas, sensações pesadas, sentimento de perda, entre outros, é com grande alegria que na minha alma e no meu coração as sensações se encontram amenizadas. Neste momento ocupo-me com um dia de cada vez e investindo no dia-a-dia todas as minhas forças e energias. Depois de muito pensar no futuro, fazer planos e projectos, cheguei à conclusão que do futuro nada sabemos, assim sendo, mais vale um dia bem vivido e conseguido, do que um futuro de sonho desfeito num pesadelo. A todos quantos me ajudaram a navegar por este cabo das tormentas, um muito obrigado. Estarão para sempre no meu coração.

 

A Triosphera está em movimento, ainda não de vento em popa, mas a bom ritmo… estamos a sair do porto de abrigo!

 

As questões sentimentais estão no plano das negociações. Não quero criar demasiadas expectativas, mas acho que tudo é possível. Evito as expectativas porque de certezas não temos nada e como gato escaldado de água fria tem medo…

 

Adeus e até uma próxima

publicado por saLOMOn às 14:48

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Segunda-feira, 13 de Agosto de 2007

Verão 2007…

Neste momento não vejo nada! A vida assim o quis, infelizmente para mim, todos os desejos e oportunidades, por mim antevistos no post anterior, acabaram por não se concretizar e, acima de tudo, piorar substancialmente. O sentimento de perda é algo para o qual ninguém se encontra preparado. A dor e mágoa remanescentes asfixiam todo e qualquer outro tipo de sentimento. Mas como tudo na vida, supera-se e almejam-se estádios superiores; sempre prometi a mim próprio: mudar, sempre que necessário, e de preferência para melhor, nunca para pior!!! Os objectivos a que me proponho neste momento são simples: concluir a minha Licenciatura em Engenharia Biofísica, criar a tão desejada empresa com os meus colegas e amigos Rui Machado e Sérgio Godinho e tudo fazer para que consigamos vingar no mercado de trabalho como técnicos competentes e com ideias novas.

Para todos aqueles que se questionam neste momento: e então a Catarina Bagagem? Só lhes posso responder que por opção da própria pareço não servir como namorado, amigo e confidente com quem compartilhar o resto dos seus dias. Neste momento faz parte do passado! Com muita pena minha, visto considerar ter encontrado a minha alma gémea, afinal não devo de ser a dela… tudo isto levanta imensas questões, todas elas estão fora do meu âmbito e a elas não consigo responder. Apenas refiro o facto, se ela assim o entender, poderá sempre reconsiderar. Para isso será necessário desfazer-se de todo o orgulho que sente neste momento… eu próprio não vejo onde poderá estar o orgulho de se ter tomado uma das piores decisões da vida, mas quem sou eu para responder a mais essa questão…

Aos amigos que nesta complicada fase da minha vida me apoiaram, a todos um obrigado do tamanho do mundo. Espero que nunca venham a precisar deste tipo de ajuda, mas se a necessidade assim o desejar, cá estarei para “lavar uma mão com a outra”. Um enorme abraço de agradecimento!!!

Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida…

sinto-me:
publicado por saLOMOn às 23:36

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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007

O ano do dois, double "0" seven - Licença para avançar

Então é assim: ano novo, vida nova. Há muito que não escrevia neste meu espaço de dissertação. Assim sendo, aqui ficam os meus votos de um excelente ano de 2007.
Como refiro no título, penso que este ano é o "tal". Numa perspectiva, quer nacional, quer pessoal. Acabou a época das "experimentações" e chegou a hora de arregaçar as mangas e pôr mãos à obra. Obra essa que falta edificar e que, todos nós, com um pouco de humildade, dedicação, trabalho e civismo, podemos levar ao terminus. Humildade para que reflictamos sobre nós e nossos actos, atitudes e opções. Dedicação hercúlea e objectiva para que se atinjam as metas propostas. Trabalho, porque infelizmente sem este nada se consegue e, por último, o civismo. Esse tão raro valor na nossa sociedade e que com um pouco dele muitos e grandiosos problemas se poderiam resolver. São estas as minhas palavras e ideias para o ano que se inicia. Para mim, em aspectos mais pessoais, será um ano de concretizações. O concretizar de um novo mundo que para mim se avizinha: a engenharia, nomeadamente a Biofísica. Espero, e por isso farei, que tudo corra pelo melhor e que esta minha nova faceta me abra as portas, para tudo. O concretizar de uma relação, estádio emocional em que se baseará tudo o resto, que atingiu um ponto de definição, de esclarecimento e de compromisso muito acima do tangível. Assumo que nos encontramos num patamar que muitos almejam alcançar, espero que assim seja por muitos e deliciosos anos. Pena é que todos não experimentem esta deliciosa fonte de vida: amor puro e verdadeiro! Uma enorme força para a minha alma gémea. E que para ela, tal como para mim, tudo corra como ela o idealizou. Beijos para ti, Catarina. Amigos, por aqui fico, com votos de pragmatismo, isto é, não estejamos com rodeios, façamos o que tem de ser feito! Um bem haja para todos.
publicado por saLOMOn às 00:30

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Sexta-feira, 30 de Junho de 2006

A Engenharia Biofísica na promoção e divulgação do Ecodesign

Conceito de Ecodesign

 

Entende-se por ecodesign todo o processo que contempla os aspectos ambientais nas diferentes fases de desenvolvimento de um produto, colaborando para reduzir o impacte ambiental durante o ciclo de vida. Isto significa reduzir a produção de lixo e economizar custos de disposição finais. A definição de ecodesign proposta por Fiksel (Fiksel, Joseph - Design for environment: creating eco-efficient products and processes - 1996), diz que o projecto para o meio ambiente é a consideração sistemática do desempenho do projecto, com respeito aos objectivos ambientais, de saúde e segurança, ao longo de todo ciclo de vida de um produto ou processo, tornando-os ecoeficientes. O conceito de ecoeficiência, por sua vez, sugere uma importante ligação entre eficiência dos recursos (que leva à produtividade e ao lucro) e responsabilidade ambiental. Assim, a ecoeficiência tem também um sentido de melhoria económica das empresas, pois eliminando resíduos e usando os recursos de forma mais coerente, empresas ecoeficientes podem reduzir os custos e tornarem-se mais competitivas, obtendo vantagens em novos mercados e aumentando a sua participação nos mercados existentes devido a padrões de desempenho ambiental que se tornam cada vez mais comuns.

 

O Conceito de Ecodesign no Projecto de Engenharia Biofísica

 

A relação passível de ser estabelecida entre o Ecodesign e o Projecto de Engenharia Biofísica remete-nos para o conceito de Ciclo de Vida, ou neste caso, Análise de Ciclo de Vida de um produto, ou serviço. Assim, para se estabelecer este paralelismo, iremos efectuar a análise de ciclo de vida a uma técnica de engenharia biofísica (TEB). A análise recairá sobre uma grade de vegetação utilizada para minimizar os efeitos da erosão na margem direita do Rio Xarrama e controlar o volume e caudal de cheia. Os objectivos da TEB serão: desenho do leito de estiagem, delimitação do leito de cheia, estabilização da margem direita e, como já foi referido, controlar os caudais de ponta.

A primeira etapa será a de inventariar fluxos de maneira a quantificar as entradas e saídas de um sistema. Um inventário completo quantifica as matérias-primas, o consumo de energia e as emissões ambientais associadas às diferentes etapas do ciclo de vida de um produto.

Depois de definidos os fluxos iremos analisar, em relação à TEB, as diferentes etapas que compõem o seu ciclo de vida:

·        Aquisição de matérias-primas:

Neste primeiro ponto do ciclo de vida, os únicos materiais com necessidade de aquisição serão: os troncos, as plantas e as pedras. É necessário neste momento efectuar uma observação muito pertinente. Caso no local existam estes materiais, serão usados em detrimento de outros; em parte devido à extensão do projecto e da quantidade de material necessário, penso que existe a necessidade de adquirir, pelo menos, os troncos e as pedras. O material vivo (plantas) é obtido a partir da vegetação existente, utilizado como estacaria que permitirá a fixação da TEB. Constata-se neste primeiro ponto que o balanço entre saídas e entradas é positivo, isto é, até este momento as saídas do sistema são nulas; as entradas estão confinadas às matérias-primas que, por si só, não constituem factor de resíduo;

·        Manufactura, processamento e formulação:

Esta etapa inicia-se com a recepção das matérias-primas e termina na sua conversão em produtos finais; no caso da TEB, o produto final será a conclusão da obra.

As entradas associadas a esta etapa são nulas. As matérias-primas já deram entrada no sistema, não existe qualquer tipo de produto intermédio e só no processo de implementação da técnica é que poderão, eventualmente, serem utilizadas máquinas (escavadoras, tractores, etc.), aqui vistas como entradas de energia, neste caso: combustível.

O produto final é totalmente biodegradável, irá ser absorvido na totalidade pelo ecossistema, não provocando qualquer tipo de saídas – para isso contribui a origem dos materiais e a sua natureza. Os resíduos estão associados às emissões gasosas provenientes do possível uso de maquinaria.

·        Distribuição e transporte

A fase em questão aparece nesta altura, por estar assim definida nas normas internacionais da ACV. Considero que, no projecto em que se encontra inserida esta TEB, a análise da distribuição e transporte deveria aparecer após a fase da aquisição das matérias-primas. Só neste momento é que existe transporte de material. A parte da distribuição (actividades desenvolvidas para facilitar a transferência de produtos manufacturados, desde o produtor final até ao utilizador final), não tem qualquer sentido nesta ACV. O produto final permanece no local da manufacturação e processamento.

·        Utilização/reutilização/manutenção

A utilização, como se encontra definida nas normas, é definida como consumo de produtos, operação de equipamento e armazenamento. Como será lógico, depois de descritos os objectivos da TEB e os da ACV, não existe uma utilização definida para a estrutura final. É uma medida, um meio, e não um fim. Isto é, não é possível descortinar um uso humano, mas é vista como um meio para a requalificação da linha de água, portanto, uma requalificação ambiental. O uso esperamos nós, que venha a ser indirecto: a linha de água poderá ser utilizada para actividades conexas.

A reutilização dos materiais usados na técnica, não é possível. Mas, podem ser incorporados na técnica materiais provenientes de outros locais. Ou seja, é possível a reutilização de materiais para a técnica, mas já não é possível reutilizá-los depois de incorporados. Como exemplo, posso referir que as pedras usadas na técnica, se encontradas no local melhor, podem ter origem nos entulhos de uma remodelação/demolição executada numa casa de alvenaria.

A manutenção de uma TEB é completamente desnecessária. O que nós pretendemos é que o material inerte (pedras, troncos, etc.) seja deteriorado o mais rapidamente possível. Desta forma, a absorção pelo ecossistema é ainda mais célere.

·        Gestão de resíduos

Esta etapa compreende um conjunto de técnicas de tratamento e manuseamento dos resíduos gerados em cada etapa do ciclo de vida, antes da sua libertação para os compartimentos ambientais. Inclui: prevenção e redução da produção, reciclagem, compostagem, tratamentos físicos, químicos e biológicos e deposição em aterro.

A ZERI (Zero Emissions Research & Initiatives) é uma rede global de mentes criativas que procuram soluções aos desafios do mundo. A visão comum compartilhada pelos membros da família ZERI é ver o desperdício como um recurso e procurar soluções que usem os princípios de ecodesign da natureza como inspiração. Compreendo que, neste âmbito, o projecto construtivo em Engenharia Biofísica seja uma mais valia, segundo os princípios desta organização. O somatório dos resíduos provocado pela TEB é nulo; não existe a produção de co-produtos, ou produtos intermédios, e o produto final permite que a incorporação, por parte da natureza, seja integral.

 

Conclusões

 

“Afirmando-se como uma engenharia do espaço e funções naturais, a Engenharia Biofísica, distingue-se de outras licenciaturas no domínio do Ambiente, já que ocupa um nicho próprio, o da utilização dos elementos e sistemas naturais na construção de ecossistemas equilibrando as exigências crescentes das sociedades humanas e a preservação e promoção dos sistemas e comunidades naturais. Para tal, atribui uma importância crucial à obtenção e processamento da informação biofísica num formato susceptível de ser utilizado, quer no planeamento, projecto e gestão do território e seus elementos, quer na construção de estruturas, que cumprindo objectivos de uso, se integrem o mais possível na natureza e funcionalidade natural do lugar. Ao focar-se no conhecimento e gestão das variáveis e processos biofísicos assume-se integralmente como uma Engenharia da Natureza, quer se materialize na suas vertentes de caracterização ambiental ou de gestão ambiental, quer ainda na vertente mais aplicada de construção com sistemas vivos. Apresenta-se assim como uma engenharia de caracterização e avaliação ecológica aplicada quer à construção, quer ao planeamento e gestão de um território sustentável onde o crescimento da qualidade de vida das sociedades humanas se faça no equilíbrio com o crescimento da funcionalidade e potencialidade dos sistemas e comunidades naturais.” in página da Internet da Licenciatura em Engenharia Biofísica (http://www.dpbp.uevora.pt/engbio2.htm).

A Engenharia Biofísica – Ordenamento e Gestão Ambiental, no ramo de Projectos Construtivos em Engenharia Biofísica, assume-se como um verdadeira promotora, e divulgadora, do Ecodesign. As bases que definem o conceito são as mesmas que regem os princípios do projecto construtivo. Faço aqui uma ressalva aos três conceitos que guiam a actuação do Engenheiro Biofísico: sustentabilidade ambiental, económica e social do projecto, uma engenharia verde – ajudar a natureza a fazer o seu trabalho e, por último, o projecto biofísico é o “pontapé de saída”, a natureza ocupar-se-á do resto.

publicado por saLOMOn às 23:30

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Segunda-feira, 12 de Junho de 2006

Os valores técnicos, morais e sociais inerentes ao Eng. Biofísico

A decisão é um acto inerente ao ser humano, a capacidade de raciocínio lega-nos o livre arbítrio e a propensão de poder optar coloca-nos numa situação tangível do planeta. Conseguimos ter a percepção do certo, ou do errado, e optar por qual dos dois caminhos seguir. O processo de tomada de decisão é muitas vezes dúbio e nem sempre inteligível. Os inputs que chegam ao Sistema Nervoso Central, partindo do princípio que os factos são reais e credíveis, podem induzir um erro que colocará em causa o julgamento final. Quero com isto expressar a dificuldade em tomar uma decisão. Na nossa vida futura, como técnicos qualificados, ser-nos-á exigido, em variadas situações, que tomemos uma resolução. E este é um ponto, ou momento, fulcral. Será com base nos conhecimentos adquiridos, nas nossas vivências diárias, nas ferramentas de trabalho e, acima de tudo, nas nossas convicções que julgaremos e adoptaremos a melhor atitude. É imperativo que se tome uma opção! Correcta, ou não, o importante é que a tomemos! E que tenhamos o discernimento para ajuizar com base nos valores e nos conhecimentos adquiridos e garantirmos, à nossa consciência, que essa opção é genuína e devidamente fundamentada. Faço, aqui, um especial enfoque à necessidade inerente de se tomarem atitudes, pois considero que só desta forma se criarão as bases para a definição de modelos, estratégias, técnicas, políticas, etc. que permitirão almejar a tão ambicionada sustentabilidade.

Um dos maiores problemas de um técnico é conseguir fazer passar a informação. Muitas das vezes por uso de recursos quer técnicos, quer estilísticos, que não permitem a clara transmissão de ideias. Outras, porque o conhecimento da opinião pública não é, de todo, compatível com as questões em debate. Os dois aspectos aqui referidos podem adulterar todo um processo de decisão. O primeiro porque não esclarece a opinião pública e o segundo porque não irá ter em consideração a opinião da mesma. A suspeição de que algo irá alterar, profundamente, a forma de vida das pessoas pode conduzir à morte prematura de projectos que, do ponto de vista técnico e científico, até poderão estar correctos. É necessário que o processo de permuta de ideias seja simples, honesto e transparente. Assim, considero que o esclarecimento da opinião deve ser fundamentado quer com documentos técnicos, quer com atitudes simples e directas. A forma de actuação também está directamente relacionada com a dimensão do plano, ou seja, numa questão mais local é possível contactar com quase todos os intervenientes e fazer com que o processo de consulta pública seja o mais participado e esclarecedor possível. O contacto directo permite o desvanecer de muitas questões pelo simples facto de se interagir com os interessados. Neste caso, o próprio projecto não necessita de concentrar toda a informação, pode ser mais directo e coeso. Já numa dimensão regional (e desta dimensão para cima), não é possível a adopção deste tipo de estratégias. Por muito que se queira não conseguiremos ouvir tudo e todos. Neste caso existe a necessidade de o projecto ser, ele próprio, o mais esclarecedor possível. A informação deverá estar toda disponível e, se possível, agregada (interpretada), de forma a proporcionar uma rápida e simples compreensão.

As diferentes dimensões associadas a qualquer estratégia, plano ou política abarcam três grandes campos: social, económico e ambiental. Qualquer uma destas vertentes tem aspectos inerentes à sua origem; uma delas será a vertente temporal. Existem processos associados a cada uma delas e, por serem de génese diferenciada, desenrolam-se em tempos diferentes, isto é, as medidas adoptadas sobre cada uma delas obtém tempos de resposta diferentes. Assim, aquando do processo de planificação, partiremos do princípio que toda a parte de caracterização e análise já se encontra resolvida, tem de se ter em consideração o tempo processual inerente a cada uma delas; muitas das vezes, a dificuldade está em definir o espaço de tempo associado a cada processo. A articulação entre as componentes escalar e temporal é de extrema importância. As hipóteses que surgem, na interacção entre elas, são inúmeras. Assim, teremos de ter um cuidado redobrado ao identificar quais as variáveis associadas a cada componente. Se, por um lado, a escolha for correcta, temos o trabalho deverás facilitado; se, por outro lado, a escolha for incorrecta, o ruído criado por essas variáveis pode ser impossível de contornar, levando a situações morosas, complicadas de resolver e, por vezes, sem solução aparente. É premente uma correcta avaliação dos objectivos, de maneira a que o acto de planificar seja conciso, rigoroso e célere. Uma planificação adequada permite uma melhor gestão de recursos, uma melhor identificação de prioridades e, acima de tudo, uma melhor capacidade de execução. É com esta última em mente, que deveremos guiar as nossas acções. O país precisa urgentemente de acções que possam, de uma vez por todas, encaminhar esta barca no rumo certo.

Os recursos técnicos que hoje se encontram disponíveis são sobretudo ferramentas com uma melhor e maior capacidade de análise. Permitem analisar quantidades de dados impensáveis à 15 anos atrás. Isto permite o aparecimento de uma nova família de planos. Poderemos pensar que serão mais coerentes com as alterações operadas no território, e são-no garantidamente! Uma maior base de análise permitirá uma pirâmide de decisão mais estruturada e fundamentada. Ainda assim, o erro cometido poderá ser catastrófico. Se o processo de análise espacial não for correctamente elaborado e, como já foi referido, se as variáveis não forem bem identificadas e definidas, o resultado final poderá não ser o mais correcto. E, devido à quantidade de dados, não se questiona o output. Ora, aqui está o cerne da questão: as máquinas única e exclusivamente analisam os dados que lhes fornecemos, portanto devemos colocar sempre em causa os resultados. Se questionados, temos de saber responder adequadamente, não poderemos usar o cliché: “ Ah e tal, foi o computador que fez, por isso está bem feito…”. Temos de saber qual o processo de análise que conduziu àquele resultado; assim poderemos identificar o erro, a sua localização, corrigi-lo e explicá-lo se necessário.

A capacidade de trabalho, a coerência das atitudes, a honestidade e o espírito de equipa são o nosso curriculum vitae. São estes os aspectos que se expõem quando o nosso nome é mencionado. Assim, e no interesse de toda a comunidade Biofísica, é estritamente necessário que sejam estas as palavras que ficam retidas quando a nós se referem. É com a grandeza de atitudes, postura e dedicação que conseguimos levar mais alto o nome da nossa licenciatura. Dos actos medíocres, mesquinhos e retorcidos ninguém se esquecerá deles, ensombrarão o nosso nome; por muitos e bons que existam é sempre dos fracos que reza a história…

publicado por saLOMOn às 18:17

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Quarta-feira, 7 de Junho de 2006

NORTE, SUL, ESTE E OESTE… ou a perda de rumo no Ordenamento do Território

A distribuição da população no nosso país não é de todo equitativa, as maiores concentrações junto ao litoral e a Norte do Rio Tejo, enquanto que o restante território, exceptuando alguns pólos urbanísticos, sofre de uma deslocalização da população para as áreas atrás referidas. O crescente aumento demográfico, das regiões mais populosas, provoca um ingurgitamento no espaço urbano, quer seja ele de índole populacional, estrutural ou social. Ao associarmos a falta de políticas de Ordenamento do Território e Urbanismo, deparamo-nos com inúmeras falhas: um sufoco em questões visuais, um sufoco em infra-estruturas, um sufoco no apoio social, em suma, a falta de transposição das políticas nacionais para as regionais, com enfoque na saúde, na educação, nas questões sociais, no ambiente, etc., reflectem-se na desfiguração do meio urbano, misto e rural.

Agricultura

 

A maioria das áreas agrícolas do nosso país, ou melhor dizendo: as áreas com maior potencial agrícola são usadas não ao encontro da aptidão, mas sim de interesses individuais, maioritariamente egoístas e pouco consensuais. Senão, vejamos:

O vale do Rio Mondego, junto a Montemor-o-Velho, é, por excelência, uma área com enorme potencial agrícola. O que na realidade se vislumbra é uma crescente diminuição das áreas agrícolas devido à expansão da localidade para as zonas menos elevadas. Desta forma colocam-se em risco duas entidades extremamente importantes: as áreas agrícolas e a população; a primeira porque, se o avanço das áreas edificadas não for controlado, desaparece; a segunda porque se está a colocar em risco, numa secção do rio propensa a grandes cheias, a própria população. Uns dos maiores problemas associados a esta região estão relacionados com a contra naturam do curso de água. A destruição da galeria ripícola, a substituição de bosques, matos e toda uma estrutura associada a linhas de água, a transformação dos meandros do curso de água num canal ladeado por diques, foi originada pela implementação de um plano de rega massivo e nocivo para a estrutura ambiental, que provocou uma diminuição significativa de biodiversidade, originando folhas agrícolas de elevada extensão.

A Ria de Aveiro, e a sua envolvente, apresenta uma unidade biofísica quase única no nosso território, associada a uma enorme biodiversidade, tem nos aspectos culturais uma mais valia. Tradições de pescadores e de agricultores que, nos tempos idos, se dedicavam às suas artes e que, por incúria do destino, estão a ser abandonadas e subvertidas aos fenómenos industriais. Os terrenos que ao longo dos anos ganharam aptidão agrícola, através do uso de moliço e de calcário, tornaram-se numa arma tremenda para o cultivo de hortícolas precoces, em parte devido a condições climáticas excepcionalmente amenas e à constante presença de água; culturas essas que estão a ser abandonadas e transformadas, pelos seus proprietários, em áreas habitacionais. Ainda uma especial referência ao mosaico criado pelas áreas agrícolas de pequena dimensão e à sua intensa compartimentação. Não se pode deixar de referir o elevado estado eutrófico a que é fadada a ria. A alteração de modos culturais levou por um lado, à não recolha do moliço para fins agrícolas e por outro, a um prodigioso aumento da indústria circundante, que contribui fortemente para esse estado.

Ao deslocarmo-nos para o interior do país deparamo-nos com uma alteração morfológica bastante acentuada: deixamos para trás as vastas planícies aluvionares e contemplamos à nossa frente os conjuntos montanhosos que constituem o maciço central. A esta alteração da morfologia está também associada uma transformação dos hábitos agrícolas. As encostas verdejantes e encaixadas são intercaladas por talhões agrícolas, dispostos em degraus, repletos de centeio e feno que transmitem à paisagem tons cinzas e azulados onde, de quando em quando, um espigueiro ressalta ao olhar relembrado tempos de abundância e de poupança. Também aqui se denota uma cedência de modos de vida. As urbes oferecem, nestes casos, uma vida mais inteligível e menos árdua – os campos, esses, ficam lá bem no alto…

Já nos enormes prados dos planaltos do Maciço Central encontramos o vale do Rio Seia. A fertilidade da terra, devido à deposição de sedimentos, é elevada e, consequentemente, as áreas de cultivo também de maior dimensão. A pastorícia, ainda hoje com elevado número de partidários, em parte devido à certificação do Queijo da Serra (Denominação de Origem Protegida), é umas das principais actividades; desta forma, os derivados transformam-se em produtos de maior valor acrescentado que auxiliam, de molde preponderante, o turismo, uma das actividades com maior ascensão na região.

O Maciço Central ficou para trás e descemos até à Cova da Beira. Região situada nos sopés das Serras da Estrela, Malcata e Gardunha. Sobejamente conhecida, nacionalmente, pela sua produção frutícola – quem não conhece as famosas cerejas do Fundão!

O Rio Tejo corta a paisagem e, por pasmo do destino, também com os hábitos e costumes do povo. Sabemos todos nós que o clima, os solos e o relevo influenciam as actividades económicas directamente ligadas à terra. Assim, ao chegarmos à região de Nisa assistimos à predominância das actividades silvo-pastoris, não fosse o Queijo de Nisa, e à sua especial inclusão no Plano Director Municipal, não restaria uma mancha de montado no concelho – tal não é a extensão da área de eucaliptal…

Como epílogo, só me resta acrescentar que as explorações silvo-pastoris assumem total preponderância na paisagem alentejana, restando uma especial referência aos olivais circundantes de Estremoz devido a alterações geológicas, o calcário predomina nesta região.

Urbanismo

 

As áreas urbanas do nosso país encontram-se em franca expansão. Nos últimos 15 anos assistimos a um crescimento na ordem de 45%! Não será portanto de estranhar o caos instalado nas principais cidades de Portugal. Recorre-se a subterfúgios para contornar toda e qualquer legislação que, por incorrecta compreensão, se proclama anti-desenvolvimento, continuando a construir-se anárquica, desconexa e desordenadamente. Costuma ser à posteriori que se desenredam situações como: falta de arruamentos (ou mal dimensionados), falta de espaços verdes, falta de segurança, etc., infelizmente os casos que se conhecem são mais que muitos. E esta realidade, infelizmente para nós, está à vista de todos!

No Baixo Mondego, mais propriamente em Montemor-o-Velho, é nítida a falta de políticas, e de planos, de ordenamento (ou pelo menos o cumprimento dos mesmos). Uma vila onde o castelo reina, ainda nos nossos dias, não é de todo admissível uma traça arquitectónica que em nada respeita origens e tradições! Não quero com isto dizer que todos os edifícios devam ser iguais, a pluralidade é também uma forma de arte; não confundamos é pluralidade com disparidade. Ainda na mesma localidade, e já mencionado no texto, a expansão da vila está ser feita em detrimento das áreas agrícolas e, como se não açulasse que chegue, nas zonas de baixa; numa região onde – a extensão da bacia hidrográfica concorre para uma secção de canais que não comportam todo o caudal de ponta – a ocorrência de cheias é muitíssimo frequente. Não se podem colocar em risco, com tanta displicência, vidas humanas. As alterações climáticas são imprevisíveis e assolam o globo aleatoriamente, não devemos menosprezá-las e muito menos esquecê-las. As zonas costeiras são, por norma, locais de aprazível beleza e logicamente bastante concorridos. A praia da Figueira da Foz não é excepção. Torna-se num destino turístico de elite em meados do século passado. Ainda no mesmo século, finais dos anos oitenta, dá-se o salto para o turismo de massas com consequente degradação do tecido urbano. É perfeitamente visível, do alto da Serra da Boa Viagem, o caos urbanístico a que se devotou a Figueira: um incremento totalmente invertido – a primeira linha de edifícios excessivamente elevada, com consentânea depravação dos aspectos paisagísticos; uma distribuição espacial triangular em que a base coincide com a primeira linha edificada, não permitindo que os demais usufruam da mesma linha de horizonte. Os escolhos artificiais que orientam a foz do Rio Mondego provocaram, e continuam a provocar, um depositar excessivo das areias transportadas pela corrente, maioritariamente, de Norte. O extenso areal, criado por essa adulteração, foi alvo de adaptações desérticas. Deleita -me poder, nesta altura, recorrer a um recurso estilístico – a ironia: o areal é de tal maneira extenso que surgiu a necessidade de se criar um Oásis. Só assim, com esse belo refrigério, é possível almejar a beira-mar! No sentido Norte, com destino a Ovar, de maneira a percorrermos a E. N. 109, deparamo-nos com a verdadeira babel urbanística, facto que é visível ao longo de todo o seu traçado, os aglomerados cresceram em espinha ao longo do trajecto. O facto é que muitos troços desta mesma estrada foram absorvidos pelas localidades, tornando-se em verdadeiros arruamentos. Uma situação de todo indesejável, visto o tráfego ser a molde intenso. A amálgama de situações é de tal maneira intensa e burlesca que custa a acreditar! A alienação, de todo e qualquer retalho de terra, com o propósito habitacional, chega a ser ofensiva; criando uma complexa malha urbana sem definição, sem eixos viários e de custos elevados[1]. Antes de avançarmos para o interior do país, uma especial referência a mais uma zona costeira, também ela muito degradada – as zonas dunares do litoral centro. O avanço das áreas urbanizadas até ao cume da duna primária (aqui um alerta ao facto de em muitos dos locais (e.g. Praia da Tocha), a duna já estar consolidada), levou a uma estagnação da evolução – anulou -se toda a dinâmica dunar. Num litoral em constante mutação, neste caso específico em regressão costeira, existe a demanda de maiores cuidados na utilização do espaço. Já são em demasia os casos em que o “avanço” das marés engole áreas urbanas. E, agora sim, estamos aptos a percorrer os caminhos até ao interior do nosso país. A pressão urbanística tende a diminuir com o abandono do litoral, situação perceptível se tivermos em consideração a distribuição da população. As áreas urbanas encontram-se tresmalhadas, o distanciamento entre os tecidos urbanos cresce devido ao efeito atractivo dos pólos urbanísticos, as condições de vida e o acesso mais facilitado aos serviços promovem este abandono das áreas agrícolas. Ao aportarmos a cidade de Viseu, com o seu programa Polis, apercebemo-nos que está em curso uma requalificação urbanística. Mais uma vez remedeia-se o que não foi projectado na altura devida. Viseu, nos últimos 15 anos, realizou um salto quase quântico, quer a nível populacional, quer a nível industrial, quer a nível urbanístico. Não existindo estratégias delineadas, a rapidez com que tudo se processou não permitiu sequer a assimilação do que estava a decorrer. A execução do programa Polis permite a lavagem do semblante da cidade, mas não resolve de sobremaneira os problemas estruturais. A substituição de algumas tipologias habitacionais por outras que permitem alojar um maior número de condóminos, em zonas internas da malha urbana, só irá trazer consequências nefastas; outras cidades já experimentaram o mesmo processo e cedo se aperceberam do erro cometido. Não compreendo como pode o mesmo erro ser cometido mais do que uma vez… vá-se lá perceber! A cidade da Guarda apresenta-se como um pólo de atracção turística. A procura está em crescendo e a oferta tende similarmente a aumentar. Este fenómeno está associado ao facto de a Serra da Estrela ser o único local, a nível nacional, que se associa a prática de desportos de Inverno. Também aqui, e apesar de estarmos na presença de um sobejo agregado urbano, se denota o abandono da população: refiro o cartaz, de um determinado partido político, que fazia referência ao facto de o número de fraldas vendidas estar a diminuir de ano para ano! A situação geográfica da Guarda é de salientar, eleva-se 1056m acima do nível do mar e encontra-se sitiada numa zona de cumeadas – separa 3 bacias hidrográficas: rios Douro, Mondego e Tejo. Este será o último ponto a ser analisado dentro do tema urbanismo – considero não existirem grandes prerrogativas, no que às restantes cidades visitadas diz respeito, a não ser mais do mesmo. A Covilhã, em termos de desordenamento, não foge às restantes análises. Há apenas a acrescentar a análise devida à situação morfo-geográfica. Cresceu no sopé da Serra da Estrela, enraizada em solos de baixas, logo de acumulação, o que permitiu o desenvolvimento do sector agro-pecuário. Identicamente, e por causa da expansão imobiliária, os solos agrícolas estão a ser conquistados. A parte da cidade que cresceu nas encostas da Serra está urbanisticamente minada: os edifícios prosperaram entulhados uns nos outros. Brotando a ideia de toda a cidade estar excessivamente amontoada e densamente povoada. No restante percurso até Évora poucas situações há a referir, as densidades populacionais assim o exigem…

Ambiente

 

Os aspectos relacionados com a área ambiental irão ser abordados linearmente, nem todas as localidades apresentam valores e situações com especial interesse.

A Ria de Aveiro apresenta-se como um dos locais onde a biodiversidade atinge índices elevados. Associadas à ria encontram-se outras áreas protegidas: a Zona de Protecção Especial e a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto. A envolvente da cidade está a provocar uma pressão muito grande nas referidas áreas, é urgente a tomada de medidas de planeamento e de gestão. O excesso de poluição começa já a provocar algumas rupturas em certos habitats, com maior incidência nos aquáticos, o que começa a colocar em causa a diversidade faunística da ZPE. Os recursos essenciais à manutenção do ecossistema estão a ser postos em causa o que, num futuro muito próximo, caso não sejam adoptadas medidas preventivas, poderá levar ao desaparecimento de um sem número de espécies autóctones e sazonais. Entremeio, a Ria de Aveiro e a Serra da Estrela, há a destacar o Parque Urbano da Cidade de Viseu. Apresenta alguma degradação, nomeadamente no envelhecimento das espécies arbóreas e no tipo de uso que proporciona aos seus utentes. A estrutura, a meu entender, não se adequa aos interesses públicos dos nossos dias, considero que os espaços públicos urbanos devem ser idealizados numa óptica de uso e não como um objecto estático e contemplativo. Não tenciono fazer qualquer referência ao Programa Polis, pois perfilho que a função dos espaços deve definir a sua estética e não o contrário… A Serra da Estrela manifesta-se como uma das áreas protegidas mais emblemáticas do nosso país. As características bioclimáticas únicas fazem dela um local muito aprazível para um sem número de espécies, entre elas alguns dos endemismos de altitude portugueses. O relativo isolamento a que está sujeita confere-lhe um carácter de protecção relativo. Algumas questões que se encontram em agenda são o aproveitamento e a implementação de actividades agro-pecuárias tradicionais, visto serem estas as que melhor se harmonizam com os objectivos de conservação. O Turismo de Natureza e de Recreio afiguram-se como actividades possíveis e, amplamente, relacionadas com uma adequada gestão do Parque e dos valores naturais.

Conclusões

 

A impressão com que ficamos, depois desta efémera passagem pelos caminhos de Portugal, é a de que existe ainda muito trabalho, esforço e dedicação no que, ao Ordenamento e Gestão do Território, concerne. Todos nós ficámos com a percepção que a desordem é elevada e que é necessário um esforço, honesto, para se corrigirem problemas de índole estrutural. É muito importante, ainda, que exista uma coordenação mais adequada das componentes agrícola, urbanística e ambiental. São estruturas que foram, e ainda são, pensadas como peças isoladas, não sendo interligadas como um único e complexo objecto, o Território, composto por diversas variáveis. Unamo-nos, não só pela selecção nacional de futebol, mas por um Portugal mais coerente, mais bonito e mais atractivo. Ficamos todos a ganhar!!!



[1] Referência aos custos de implementação de infra-estruturas, tais como luz, água e saneamento básico.

publicado por saLOMOn às 01:02

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Sábado, 6 de Maio de 2006

25 de Abril, sempre!!!

O 25 de Abril de 1974 foi uma data que marcou o país, o mundo e a mim especialmente, por ser o ano da minha aparição nesta efémera passagem pelo mundo cognitivo.

 

Muito se tem falado e discutido sobre o valor do 25 de Abril nas novas gerações. Uns defendem que os programas escolares deveriam dar mais enfoque ao assunto, outros que a transmissão de valores de pais para filhos está em deficit e, portanto, quebra-se um elo na cadeia, outros ainda que o papel do governo não é suficientemente preponderante nesta matéria…

 

Acerca desta temática, dei por mim, ao observar a plebe em época pascal, a pensar que todos os que da maneira acima descrita pensam, estão todos errados! O 25 de Abril está vivo e a gozar de plena saúde!

 

Passo a explicar: os actuais pais, médicos, pedreiros, engenheiros, doutores, professores, governantes, etc. são os mesmos que, em plena época de revolução, eram jovens, estudantes e acima de tudo teenagers. Como todos nós sabemos, a liberdade, em muitos instantes desse tempo, foi confundida com libertinagem. E é o que hoje temos. A falta de valores morais, sociais, éticos em detrimento dos financeiros é justificação, mais que suficiente, para se alienar o próximo, todo e qualquer tipo de património (seja ele cultural, arquitectónico, natural, etc.), e passar por cima de tudo e de todos sem olhar nem a quem, nem a meios. O (des)ordenamento da nossa paisagem é bem exemplo disso – não existe o menor respeito pela traça tradicional portuguesa, pelo enquadramento arquitectónico, cada um desenha a casa que quer e como quer. As dunas primárias são sempre alvo de cobiçados olhares, são muitos os exemplos de edifícios que banham os pés na preia-mar. Os bosques de caravalho, sobreiro, azinheira, só para referir alguns exemplos, são chacinados e transformados em plantações de “pau da celulose”, vulgo eucalipto. A agricultura de subsistência há muito que foi abandonada, existindo hoje uma agricultura intensiva, insustentável (a ver vamos quando se acabarem as verbas comunitárias…), e perturbativa para com o meio ambiente.

 

Todos estes exemplos, infelizmente é-nos possível arranjar muitos mais, servem para explicitar a libertinagem com que se começa o dia-a-dia nacional. As gerações mais jovens estão a absorver estes “conhecimentos” e a começar a achar que não existe uma outra forma de fazer as coisas.

 

Assim, parece que o 25 de Abril realmente está entre nós; para o bem ou para o mal…

publicado por saLOMOn às 05:53

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Sexta-feira, 31 de Março de 2006

Olhem, olhem... um blog novo...

Caros amigos e amigas, é com imenso prazer que vos comunico a abertura deste meu blog. Pode ser que a actualização ocorra com alguma frequência. Também pode ser que não...

 

 

Abraços e boas leituras...

publicado por saLOMOn às 21:58

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